Fidelidade
Um pedido de desculpas à musa celestial
Inspirado no Soneto de fidelidade de Vinícius de Moraes, resolvi fazer um pouco diferente. Em vez de uma declaração de amor apaixonado, nesse poema o eu-lírico assume o papel de marido adúltero que busca reconciliação com sua amada.
Fiquei um tempo sem escrever. Senti que traí minha musa celeste. Por isso, peço perdão e prometo fidelidade.
Além disso, a “Fortaleza” na última estrofe é próprio Deus.
FIDELIDADE
Para a Poesia
À procura do sentimento que somente
em teus abraços eu desfruto plenamente,
deitei-me como cão em colchões alheios
e me debrucei sobre anônimos seios.
No entanto, meu coração me leva a ti,
a Senhora a quem aflito recorri,
após o falso êxtase ter se findado
e apenas os pecados terem restado.
E tu me recebes portando a certeza
da chegada do tempo em que meu coração
aceitará, enfim, a ungida vocação
conferida a mim por nossa Fortaleza.
Apesar de tudo, juro-te em verdade:
Poesia, a ti eterna fidelidade!


