Vida sem vida
Poema de Lucas Medeiros
Fui inspirado por Drummond de Andrade, especialmente pela Elegia 1938 e A máquina do mundo — dois poemas geniais da língua portuguesa.
O tema outra vez é a dureza dos tempos atuais e solo inóspito para contemplação. A Vida perdeu-se a si mesma; os homens vagueiam a esmo, sem propósito, apenas seguindo os ditames da grande máquina do mundo.
E assim… morrem.
VIDA SEM VIDA
Buzinas, calor, concreto, vida sem vida.
Sem maravilha, tudo fluido e parado…
Minha alma protesta, mas não é ouvida,
o vento quer caminhar e é sufocado.
A Poesia, que é livre andorinha
a cantar contente a chegada dos verões,
bate asas onde nem uma sombra tinha
abatida com a dureza dos corações.
A Máquina! Mais uma vítima ela fez.
O coitado se foi por um mundo caduco
que faz dos homens de sonhos pobres eunucos
a ruminar as próprias desgraças outra vez,
praguejando contra a terra e a sorte
enquanto se movem ao encontro da morte.


